Idosos retornam à sala de aula
Casar, ter filhos criá-los e educá-los. Esta era a realidade de muitos dos nossos idosos que permaneceram por um longo período de suas vidas estagnados a um sistema reprimido, que foi imposto por uma sociedade cheia de preconceitos e tabus. Porém, eles já estão libertos desses estereótipos. Idosos da terceira idade retomam os estudos e até ingressam na universidade. O tempo que antes era dedicado para o lar e a família, agora é destinado à cultura.
No entanto, a maturidade traz certas dificuldades físicas que exigem atenção especial da família e até mesmo do Estado. Dedicar atenção ao professor e desenvolver paciência para permanecer horas sentado em uma sala de aula são tarefas que antes pareciam fáceis e poderiam ser realizadas com rapidez e agilidade, mas que agora se transformam em verdadeiros desafios.
Com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos idosos, universidades da cidade de Curitiba oferecem cursos específicos de extensão para a terceira idade. É o exemplo da Universidade para Melhor Idade (UAMI), que aplicou um sistema para melhorar o perfil de estilo de vida para os idosos.
Os resultados obtidos foram positivos e há mais de 10 anos a UAMI oferece aos idosos um curso de extensão com duração de dois anos, sendo duas aulas por semana no período da tarde com atividades lúdicas, canto, artes cênicas, artes visuais, música, psicodrama e literatura. O mais atraente é que a UAMI tem fins filantrópicos.
Para a coordenadora pedagógica das Faculdades Espírita, professora Joice Marques, a participação de alunos da terceira idade na sala de aula enriquece e agiliza o processo de conhecimento. “Num país em fase de envelhecimento populacional como o Brasil, é de extrema importância investir na população idosa do nosso país. Além de melhorar a qualidade de vida dos idosos, estudar melhora também a auto estima e a saúde mental desses alunos”, conta Joice.
Inez Pissinin Belloni, tem 67 anos, e se formou no curso de Parapsicologia. Gostou tanto da experiência que agora é a mais nova caloura do curso de Geografia. “Depois que voltei a estudar minha vida mudou pra muito melhor. Foi algo tão fascinante que resolvi prosseguir e fazer mais um curso, o de geografia”, relata animada.
Voltar a estudar foi bem mais que simplesmente ter a satisfação de realizar um sonho. Para Inez, estudar é sinônimo de qualidade de vida, de alegria e de saúde. Ela conta que antes de retornar aos estudos se sentia inútil e desmotivada. Hoje ela tem alegria e prazer de ter com o que se ocupar. “Ajudou muito na minha saúde, na parte espiritual e social. Sinto-me útil em poder trocar experiências com meus colegas de classe, de fazer novas amizades, de poder aprender e adquirir conhecimento cada dia mais. É uma das melhores maneiras de viver bem a maturidade”, afirma.
É necessário que a sociedade reflita seus conceitos sobre o comportamento dos idosos. É preciso se questionar e verificar nossas atitudes referentes a essa questão. Com o evidente crescimento da expectativa de vida no mundo se faz necessária se preocupar com a qualidade de vida da população dos idosos.
Se faz presente a necessidade de se levar em consideração fatores como saúde, educação, bem-estar físico, psicológico, emocional e mental, assim como expectativa de vida onde envolve elementos não relacionados, como a família, amigos, emprego ou outras circunstâncias da vida. Segundo dados do IBGE, na última década houve um aumento significativo no percentual de idosos alfabetizados no país. Se na década de 90,55,8% dos idosos declararam saber ler e escrever, em 2000, esse percentual passou para 64,8%, o que representa um crescimento de 16,1% nesse período.
Mas apesar deste crescimento há uma estimativa de que ainda existem 5,1 milhões de idosos analfabetos no Brasil. Em relação ao gênero, os homens continuam sendo, proporcionalmente, mais alfabetizados do que as mulheres (67,7% contra 62,6%, respectivamente), já que até os anos 60 tinham mais acesso à escola do que as mulheres.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
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